O “Morar fora“ e seus desafios

Esses dias eu li um texto sobre repetir roupa e isso me lembrou que já tivemos essa conversa por aqui. E aí eu postei nos stories do Instagram o link desse post. Em seguida me dei conta do quanto eu abandonei o blog e o meu propósito com ele…Fiz até uma enquete perguntando se as pessoas que me seguiam lembravam que essa senhora que vos fala possuía um blog – Abandonado, mas possuía – E eu me espantei com a quantidade de pessoas que não sabiam.

Isso me motivou a querer voltar a escrever aqui. Me expresso melhor com palavras do que vídeos no youtube, nada contra, mas o consumo de informação se limitou a vídeos e imagens, né? Inclusive, Saudades leitura!

Então, quem vier aqui gastar uns minutos para ler todo o meu blá blá blá
Whiskas sachê, 
ou gosta muito de mim ou ainda preza a leitura de textos autorais, leves, e até um bocadinho pessoais.

Mas hoje eu vim falar sobre o mesmo assunto dos últimos (lê-se também pouquíssimos) posts aqui no blog: Morar fora.

Queria te dizer, assim como no último post, que nada é fácil, e que é preciso desmistificar o “Morar fora“. Porque ao contrário do que muitos pensam, uma mudança tão grande assim, é muito mais do que um voo ou status. É uma mudança em que você leva na mala seus medos, dúvidas, saudades e muita coragem.

Morar fora é chegar em uma cidade e país e nascer de novo, mas já com olheiras e dores nas costas. Onde ninguém conhece você, sua história, trajetória, seus gostos e medos.

Morar fora as vezes te faz ver que aquele seu currículo com experiências e formações profissionais nem sempre significa algo em outro país e isso pode te obrigar a ter que se reinventar.
E é preciso não só reestruturar emprego, casa e os demais bens, mas também rever seus conceitos e antigos padrões para se encaixar no novo. E isso, meu amigo, requer um tanto quanto de força!

Morar fora é se sentir acolhido por cada novo brasileiro que você conhece, é trocar figurinhas sobre aflições e experiências enquanto tomam um café ao se conhecer, torcendo para terem mais pontos em comum e se tornarem amigos.

É chegar em uma cidade e aprender sobre as linhas metrô, a máquina de lavar louças e os produtos diferentes no mercado. É precisar de GPS para ir até um simples chaveiro , ele parar de funcionar no caminho e você acabar se perdendo, mas mesmo assim se aventurar, no ruim de tudo você pega um Uber rs. Depois, por fim, você aprende a andar pela cidade e se sente adulto, igual quando seus pais começaram a te deixar ir sozinho para o colégio.

É demorar para encontrar um apartamento para viver e enquanto não o acha se lembrar até do barulho das chaves na porta da casa que você deixou lá no seu país e o coração apertar, mas você precisa acreditar que vai valer a pena.

É se desfazer de tudo no Brasil…seus móveis que você escolheu e se esforçou para pagar, aquela cama que era perfeita para a sua coluna que se acha idosa. É selecionar minunciosamente o que vem com você e fazer a sua vida caber em uma mala. É desapegar!

É chorar por ter que resolver burocracias enormes sozinho e quase nunca encontrar uma alma caridosa para esclarecer suas dúvidas a respeito. É comer aquilo que você conseguiu cozinhar no Natal desejando o peru e farofa TOP da sua mãe e lembrando do cheiro da rabanada que vinha da cozinha dela e que as vezes você nem dava bola.

A saudade de tudo é gigantesca… Mas precisamos viver a vida todos os dias, longe de quem amamos, sabendo que eles também estão seguindo suas vidas sem nós lá perto. Demora um bom tempo para digerir a ideia que não vamos estar presentes em eventos e datas comemorativas das pessoas que amamos, que aquelas tardes de bate papo com os amigos terão que se resumir nos grupos de Whatsapp, e que não vai ver a sua sobrinha nascer e crescer de perto. Viver tudo isso somente no virtual machuca. Mas sempre ouvimos que amor não tem fronteiras e isso sim é uma verdade absoluta!

E mesmo com o coração cheio saudade, você sempre buscará coragem, paciência, força, resiliência e fé. Sabendo que ainda que seus planos não saiam perfeitos, tudo bem… porque afinal de contas você se tornou adaptável!

p.s.: Calma, que um dia a gente volta a conversar sobre moda por aqui rs

7 comentários
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Comentários

  • Thamires

    março 24, 2019 at 08:02
    Reply

    Exatamente como me sinto, não tem um dia que o coração não aperte! Estamos juntas nessa!

  • Agatha

    março 20, 2019 at 22:12
    Reply

    Barbie forças dai que eu vou arrumando forças daqui, que dói demais mas o que a gente precisa esta dentro de nós, e vamos crescer […] Leia maisBarbie forças dai que eu vou arrumando forças daqui, que dói demais mas o que a gente precisa esta dentro de nós, e vamos crescer com tudo. 😘😘 Read Less

  • Thais

    março 20, 2019 at 18:22
    Reply

    O que você colocou nesse texto, seus sentimentos e pensamentos, são exatamente os meus. Tem muita coisa que vale a pena, mas ainda assim é […] Leia maisO que você colocou nesse texto, seus sentimentos e pensamentos, são exatamente os meus. Tem muita coisa que vale a pena, mas ainda assim é muito difícil Read Less

  • Ariana

    março 20, 2019 at 17:23
    Reply

    Tudo verdade, é difícil mais é muito bom ter vocês aqui amiga, apesar de saber que dói deixar tudo pra trás, mais com força, foco […] Leia maisTudo verdade, é difícil mais é muito bom ter vocês aqui amiga, apesar de saber que dói deixar tudo pra trás, mais com força, foco e fé tudo se ajeita , e um dia de cada vez❤ Read Less

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Sou Thaise Menolli, 29 anos, casada, biomédica por formação, mas sempre sonhei em estudar e trabalhar com moda Leia mais

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